Arquivo de Janeiro, 2008

Apontamento

Posted in Sei lá on Janeiro 31, 2008 by clausulas

“Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…”

Àlvaro de Campos

Porque eu te amo infinitivamente até ao infito, e três vezes mais.

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To be

Posted in Sei lá with tags on Janeiro 30, 2008 by clausulas

O verbo to be: ser/estar.

Para sermos somos obrigados a estar? Não. O facto de nós sermos e existirmos não justifica estarmos de algum modo em algum lugar, podemos simplesmente ignorar as leis da física e viajarmos (literalmente) para o nosso inner world.

Seja como for, é o melhor que temos a fazer, é da maneira que não temos razão de queixa.

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã
Levarei a manhã a pensar
Em depois de amanhã
E assim será possível,
Mas hoje não, hoje nada, hoje não posso…

A persistência confusa
Da minha subjectividade objectiva,
Sono da minha vida real,
Intercalado, o cansaço antecipado e infinito…

Tenho já o plano traçado, mas não,
Hoje não traço planos
Amanhã é o dia dos planos,
Amanhã sentar-me-ei p’ra conquistar o mundo,
Depois de amanhã

Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã
Sim, depois de amanhã

Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã
Sim, depois de amanhã

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã
Levarei a manhã a pensar
Em depois de amanhã
E assim será possível,
Mas hoje não, hoje nada, hoje não posso…
Mas hoje não, hoje nada, hoje não posso…
Mas hoje não, hoje nada, hoje não posso…
Mas hoje não, hoje nada, hoje não posso…
Não posso…

Adaptação de Álvaro de Campos – Adiamento 

Fake-ness

Posted in Sei lá with tags on Janeiro 29, 2008 by clausulas

Acho fantástica a forma como cada um de nós tem a capacidade de fingir.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Autopsicografia, Fernando Pessoa

E tu, até que ponto finges?